Começou aos três anos a dançar. Algumas lesões, de difícil recuperação, levaram-na a descobrir outra paixão. Atualmente, combina a sua paixão pela dança com a expressão visual em projetos pessoais e como professora de ballet.
Mónica tem apenas 20 anos, mas quase todos dedicados à dança. Começou a fazer ballet no jardim de infância, com três anos. Aos cinco, teve de trocar temporariamente o ballet pela ginástica rítmica – “o mais próximo do ballet que tive”, afirma – porque não havia nenhuma escola em Almada, onde morava. Um ano depois já entrava em competições.
Foi uma das professoras, Rita Judas, que a inspirou a regressar ao ballet: “Contava-nos sempre histórias da altura do Conservatório, onde tinha sido colega da Catarina Furtado. Comecei a gostar ainda mais de ballet”, explica.
“Se reparam que alguém começa a engordar é falado, se reparam que alguém está a emagrecer é falado, então a nível psicológico é muito duro”
Decidiu concorrer então ao Conservatório de Dança de Lisboa. No primeiro ano, equivalente ao quinto ano de escolaridade, a mãe não a deixou concorrer: “a minha mãe não me deixou. Achava que era uma coisa muito exigente e muito forte para uma criança, apesar de ela também ter sido atleta e ajudar-me durante a ginástica”. Contudo, no segundo ano, equivalente ao sexto, fizeram-lhe uma surpresa: “inscreveram-me nas audições, só que para entrares no conservatório no segundo ano é muito mais difícil do que no primeiro”.
Lá conseguiu e aos 11 anos entrou no Conservatório. Porém, não sem grandes desafios: “o ritmo do ballet é diferente do da ginástica rítmica, é tudo muito mais calmo, tudo mais concentrado para os movimentos serem todos certos. Tive de reaprender, voltar atrás, com calma, ter outra mentalidade, crescer, ter noção do corpo”.
Quatro anos depois teve de fazer novas provas para continuar no Conservatório, nos três anos equivalentes ao ensino secundário. Aí os desafios começaram a ser outros: “Se reparam que alguém começa a engordar é falado, se reparam que alguém está a emagrecer é falado, então a nível psicológico é muito duro”, diz.
“Eu tenho curvas, sempre tive rabinho. As minhas colegas começaram a emagrecer todas e eu não conseguia, porque não dava, pronto”
Devido à dureza e competitividade do último ano do Conservatório, Mónica começou a perceber que aquele não era o caminho: “Não tinha de ser aquilo. Não havia só aquilo. E tinha de admitir também para mim mesma que não estava bem psicologicamente para continuar”.
No último ano do curso, chegou a ter um contrato com uma companhia norte-americana: “os meus pais queriam que eu experimentasse, pelo menos. Portanto, eu cheguei a ter o voo marcado, casa alugada já para os primeiros meses, contrato assinado, nos Estados Unidos com uma companhia”. Essa oportunidade parecia ser o próximo capítulo, mas a pandemia mudou os planos: “Para mim foi um alívio porque estava a ir para outro país sem ter a certeza de que era aquilo que eu queria fazer”, confessa.
A pandemia serviu também como período de recuperação de duas cirurgias desencadeadas por lesões na dança: na anca e nos pés. Como alguém que sempre esteve profundamente ligada ao movimento e à expressão corporal, a imobilidade forçada representou uma rutura fundamental com a sua identidade e com o que sempre conheceu: “O médico disse que eu tinha de ser operada. Ser operada à anca? Não me conseguir mexer? Mexi-me a minha vida toda. Foi um choque”.
Mónica sentia-se perdida, mas tinha vontade de estudar. Decidiu seguir as pisadas do seu pai, fotógrafo de ginástica, e inscreveu-se no curso de Fotografia e Cultura Visual no IADE, em 2022, que marcou uma mudança significativa na sua jornada.
Foi um mergulho num novo mundo de expressão criativa. Contudo, isso não significou um afastamento completo da dança. Pelo contrário, Mónica encontrou maneiras de continuar envolvida, partilhando o seu conhecimento através do ensino de ballet e explorando a interseção entre dança e fotografia nos seus projetos.
